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arquivo onírico

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Tudo se aquietou, é noite, o mundo vive pra dentro, cegando-se ao sol do sonho.

João Gilberto Noll

5 de out.
1 min de leitura

Eu estava em um prédio cuja arquitetura se assemelhava à do prédio da UnB. Só fui a Brasília muito novo e nunca conheci a universidade, então a descrição física veio de fotos que vi na internet, em um dia em que passei algum tempo pesquisando sobre o espaço.


Um autor, que já está morto, estava distribuindo autógrafos no local, e eu tentava conseguir uma dedicatória em um de seus livros meio surrados da minha coleção. Toda vez que eu me aproximava, no entanto, ele se movia para longe de mim, de forma meio espectral (teletransportando-se ou se esquivando de mim com algum tipo de deslocamento mágico).


Eu continuamente tentava ir atrás do autor, me colocando em situações extremamente vergonhosas, conversando com pessoas mesquinhas e tentando alcançá-lo a todo custo. Eventualmente, um funcionário da limpeza do local notou minha angústia e decidiu me ajudar. Disse que poderia tentar me colocar frente a frente com o autor.


Eu aceitei a ajuda, mas foi infrutífera: não conseguimos, mesmo em conjunto. O que se seguiu foi um diálogo extenso com esse sujeito da limpeza, que conversou comigo sobre a humilhação do trabalho, a má remuneração e a falta de oportunidades para mudar de vida. Eu me comovi profundamente com essa conversa e decidi esquecer o meu motivo inicial. Saí do prédio e me ofereci para pagar um almoço para o sujeito da limpeza, que, até o final do sonho, não revelou o seu nome.


No restaurante, enquanto comíamos, o autor sentou-se à mesa ao lado, e eu consegui o autógrafo.


Vinícius Andrade

5 de out.
1 min de leitura

Sonhei que eu tinha a tarefa de dirigir uma espaçonave, mas desistia. Todo mundo ficava decepcionado comigo. Então, chamei Snoop Dogg para ir comigo e me fazer companhia. Com ele, eu conseguia dirigir a espaçonave, mas me lembro de dizer a ele: “Não é fácil.”


Letícia Fonseca Araújo Souza

5 de out.
2 min de leitura

Fazia uma noite quente e interminável. Eu estava viajando. Transitava entre três lugares muito distintos: dois em que estive nos últimos meses e um em que estarei em breve e cuja ida tenho ansiado muito.


O primeiro era uma viagem para o Simpósio Regional de História, em São João del-Rei. Nesse lugar, eu interagia com certo pesar com meus colegas de turma, com quem estava dividindo uma casa. Era um pesar que me incomodava a ponto de eu decidir ir embora com minhas coisas, depois de uma noite em que todos tentávamos dormir juntos em um sofá.


Encontrei meu pai em seu carro. Íamos para a casa de minha avó, em Entre Rios, lugar onde passei muito tempo da minha infância, no interior. Lá, a sensação “límbica” permanecia de maneira incessante. Não ouvia meu pai, nem via outros familiares pela casa. Só conseguia prestar atenção a duas coisas: alguns bonés que eu gostaria de consertar quando chegasse em casa e as paisagens do cerrado, que tanto gosto de percorrer quando estou por ali — talvez uma das únicas coisas que me fazem desejar estar naquele lugar.


O terceiro lugar eu ainda não conhecia: o Parque Estadual do Itacolomi, em Ouro Preto, na companhia de um grande amigo que conheci no curso de História, na Universidade. Fazíamos uma grande travessia de dois dias, do cume do Pico até o outro lado. Para isso, passávamos dez horas em uma balsa — embora essa parte da travessia sequer exista no local; a trilha é muito menos demorada do que relato aqui — e depois seguíamos por mais algum tempo de subida, até acamparmos já na descida para o outro lado.


A sensação de conforto em relação ao terceiro lugar é, para mim, notável. Além de ser a ocasião em que posso ouvir e ser ouvido por outra pessoa no sonho, meu amigo e nossa viagem pela natureza afagam minha alma. É algo muito diferente do que sinto nas outras dimensões desse universo frio que a universidade e os espaços de socialização familiar vêm trazendo para mim.


Anônimo

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