Pão e amizade

Lembro-me de ir visitar duas das minhas amigas da faculdade, V. e I., na república onde moram. Era uma tarde quente de primavera, e estávamos conversando sobre irmos à praia, a uma cachoeira ou a um clube em algum momento. Enquanto conversávamos sobre assuntos leves de nossas vidas, I. partia sem que percebêssemos.
Eu e V. preparamos um pão em uma grande bacia (que mais me lembrava a caixa de areia de um gato). Usávamos farinha de mandioca para fazer o pão, o que não me gerava estranhamento. Nunca preparei a massa de um pão, mas, em meio à nossa leve conversa, instintivamente eu sabia o que deveria fazer.
A mistura era de água e farinha de mandioca. Eu misturava, mas deixava escapar parte da massa. Não me importava nem me afligia; apenas pegava a massa que escapava e, calmamente, colocava-a de volta na bacia. A massa ficava sovada de maneira impecável, e deixávamos juntos o pão crescer ao sol.
Anônimo