Punhal verde e amarelo
No dia 18/10/2026, ocorreu uma manifestação em favor da reeleição do presidente Lula, da qual participei, como sempre fiz desde meu ingresso na universidade pública. A manifestação demorou bastante e, por sorte, diferentemente do que costuma ocorrer, o ato foi realizado em um bairro periférico da cidade, ao lado do meu. Cheguei em casa tarde da noite, e o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro já tinha terminado. Por isso, conferi apenas alguns cortes e falas pontuais antes de dormir.
Ao adormecer, lembro-me de estar de volta à manifestação, com a mesma roupa e os mesmos companheiros e companheiras. Tudo ia bem. Até que, em determinado momento da madrugada, acordei levemente com algum barulho no teto e ajeitei meu corpo na cama, com vontade de “retornar” àquele sonho, que estava bom. Até consegui retornar, mas tive um lapso em que surgiu um novo sonho. É esse que gostaria de detalhar.
Não faço parte do sonho. Sou muito mais um espectador, alguém que assiste a uma cena sem poder atuar diante da barbárie do pesadelo que se desenhava diante de mim. Pareço estar em Brasília, reconhecível pela arquitetura e pela paisagem. Estou no interior de um prédio e vejo Flávio com uma faixa presidencial, condecorando Nikolas Ferreira por alguma coisa e, disso me lembro muito bem, comemorando o assassinato do presidente Lula, dizendo que “desta vez conseguimos aquilo que queríamos e o Brasil é nosso”.
Sinto pavor, medo e angústia. Uma taquicardia me atinge violentamente. Acordo com vertigem e uma ansiedade enorme. Ainda demoro alguns segundos para sentir certo alívio ao perceber que não passava de um pesadelo, embora ele tenha revelado a mim mesmo meus temores, minhas angústias e aquilo que definitivamente não quero.
Matheus Mendonça Azevedo Manaus, AM